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domingo, 13 de abril de 2014

2º Desafio - Stargazes (escrita por Holly Robin)

Stargazes escrita por Holly Robin


Sinopse: Tudo o que ele queria era protegê-la, mas não estaria sendo egoísta ao decidir que deveriam morrer juntos naquele navio? Não estaria se esquecendo dele mesmo? Mesmo tendo uma vida desprezível, não se julgava capaz de retirar a vida de alguém. O navio estava prestes a afundar, qual seria a melhor opção? Fugir, ou morrer junto de sua única amiga?

Classificação: +16
Categorias: Originais
Gêneros: Angst, Death Fic, Drama, Romance, Tragédia, Yaoi
Avisos: Homossexualidade

Capítulos: 1 (1.354 palavras) | Terminada: Sim
Publicada: 16/10/2013 às 01:12 | Atualizada: 16/10/2013 às 01:12

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Ele não conseguiu deixá-la naquela cidade imunda. Precisou levá-la a bordo do navio pirata.
Londres nunca foi o lugar mais agradável do mundo. Por trás de suas belas construções, havia um ninho de vermes. Pessoas rastejavam por trás de suas sombras atrás de fiapos de felicidade. Ou pelo menos da que imaginavam possuir.
Annabeth, era sua amiga. No meio daquele caos, a única de coração puro. Seu único egoísmo foi ajudá-lo. Ajudá-lo a colher as poucas migalhas que a capital ofereceu.
Mas agora ela estava segura. Por enquanto...
Mulheres não eram aceitas a bordo. Precisava manter o disfarce dela.
Enquanto sua amiga cochilava tranquilamente em seu quarto, resolveu sair para observar o céu. O fim da tarde aos poucos se aproximava. Nenhuma nuvem. O mar estava calmo.
— Quando tudo está calmo, é sinal de que algo ruim está para acontecer, não é, Ed?
Não respondeu, apenas virou-se para trás. Sempre tremia ao escutar a voz melodiosa de James Gaten. Como músico favorito do capitão, toda noite, tocava uma música antes do ‘jantar’.
— Vai ficar apenas me olhando?
— Não gosto de pensar em coisas ruins — não fazia a menor ideia do que estava dizendo. Só rezava que aquilo fosse o suficiente para ser deixado em paz.
— Para um escritor de tragédias, essa não foi a sua melhor frase — parando ao seu lado e sorrindo. – Estou pensando em cantar algo diferente esta noite.
— Como o que? — não estava muito interessado em saber, mas gostava de ver seu companheiro sorrindo.
— Uma música sobre naufrágio. O que acha?
— Macabro. Faz seu estilo.
James, não respondeu. Apenas riu. Passou a mão em seu longo cabelo loiro, e virou-se em direção à proa.
— Ah, já ia me esquecendo. Peça para o novato não fazer corpo mole. Este navio está imundo! O capitão não vai gostar.
Não queria acordar Anne. Poderia limpar tudo, mas como navegador isso não fazia parte do seu trabalho. Voltou para o quarto. Precisava acordá-la.
Mas a garota já não estava mais lá.
Olhou em volta. Nada. Apenas um livro de contos jogado sobre a cama.
Lembrou-se de quando era uma criança. Quando leu o livro pela primeira vez, ficou com medo de um fantasma assustá-lo à noite. Até passou a acreditar que um zumbi poderia ser encontrado no cemitério da cidade. Agora, sabia muito bem que essas coisas não existiam.
Por um segundo teve medo. Annabeth, não podia ser pega. Seu disfarce não era ruim. Conseguia enganar muitos. Principalmente o capitão. Provavelmente ele estaria bêbado. Antes mesmo da música terminar.
Caminhou até a cozinha. Era normal os novatos terminarem, ou no caso, ‘começarem’, os seus serviços descascando batatas. Como o capitão gostava de pão, uma grande quantidade de massa era preparada para ser assada. Alguns preferiam cuidar desta parte. Dentre estes alguns, estava Annabeth com sua barba postiça e roupas largas. Analisou o movimento de suas mãos aosovar a massa grudenta.
No futuro, quando estivessem livres da pirataria, não precisaria mais vê-la fazendo isso. Mas por enquanto, ainda a veria peneirando farinha e descascando as batatas do almoço e do jantar.
**
O jantar foi animado. A maior parte bebia e cantava ao som do violino de James. A música era triste, mas não o suficiente para comover tantos bêbados. Dentre eles o capitão, com seu chapéu amarelo e sorriso brilhante. Todos os seus dentes eram feitos de ouro.
Resolveu ir dormir. Deixou a cama desocupada para Annabeth e espremeu-se entre a estante e a cama. Conseguiria dar um cochilo.
— Boa noite, Ed — Annabeth falou ao entrar no cômodo — Não quer dormir na cama?
— Não, aqui está bom. Está cansada. Trabalhou muito.
— Você é tão gentil. Obrigada por ser meu amigo, Ed.
Fechou os olhos e virou a cabeça para o lado. Aquilo ficou parecendo uma despedida, não estavam se despedindo. Amanhã reclamaria isso com ela.
Não soube dizer por quanto tempo dormiu. Mas ainda estava escuro. Ouviu o barulho da chuva do lado de fora. Sabia que isso aconteceria quando viu o céu pela última vez.
Só que... Havia algo errado.
Saiu do quarto em silêncio e caminhou em direção ao porão. Algo dentro dele dizia que o problema estava lá.
E estava.
Mesmo estando em pé, a água já estava na altura de seus tornozelos. Não podia acreditar. O navio estava afundando enquanto todos dormiam.
Precisava fazer algo, mas não conseguia pensar em nada. Seus músculos se retesaram, era impossível se mover. Colocar algo pesado para tampar o buraco do casco não passaria de umagambiarra inútil. Uma falsa esperança.
— Fico surpreso em saber que descobriu.
Virou-se para trás assustado e deparou-se com James. Mal conseguia vê-lo devido a pouca luminosidade.
— Mas como...
— Ninguém sabe. O capitão está prestes a fugir junto com alguns companheiros. Esta é a nossa chance de sairmos vivos daqui.
— E os outros?
— Os botes não cabem todos. Melhor aproveitar enquanto ainda estão dormindo. Será uma morte rápida.
Na hora pensou em aceitar a oferta de fuga, mas não podia abandonar Anne. Não seria digno de sua parte deixá-la morrer. Mesmo que a vida dela tivesse sido um lixo, não tinha o direito de decidir isto. Enquanto respirasse, ainda teria a chance de mudar.
— Cabe mais uma pessoa no bote?
— Não. Vem logo!
Hesitou. O navio afundaria a qualquer instante. Precisava ser rápido.
— Não. Eu vou ficar.
— Mas o que?! — exclamou transtornado. — Ficou maluco?
— Pode ir. A vida de meus amigos vale mais que a minha.
— Assim seja — subindo as escadas e sumindo na escuridão.
Teve vontade de chorar. Sentiu-se um idiota por ter escolhido ficar, mas não seria covarde ao ponto de deixar Anne morrer no fundo do mar. O destino não podia ser tão cruel. Lembrou-se de sua infância. Nunca foi feliz.
Sua única companhia foram mapas e livros. As pessoas eram más. Assim como o buraco que era Londres. Nasceu entre vermes. Não precisava de coisas boas. Sonhos. Esperanças.
Sempre guardou tudo para si. Quantas vezes quis falar o que sentia, mas as palavras falhavam. A voz não saía. Era como um mudo.
Juntou um pouco da coragem que ainda restava e caminhou desanimado até o seu quarto. Morreria ao lado de sua amiga. Assim poderia se sentir um pouco mais confortável.
Abriu a porta. Não sabia quando o navio iria partir-se ao meio. Estava aterrorizado com a ideia. Pelo menos sua ami...
— James?! — não conseguiu conter o espanto. O que o loiro fazia ali no lugar de Anne, nem ele sabia dizer.
— Eu sabia que você não largaria a garota.
— Achei que não soubesse que era uma garota. Como sou idiota.
— Não gosto quando me subestimam — forçando um sorriso frustrado. — Ela está no bote junto dos que se salvaram, deixei uma sacola de moedas junto. Sendo inteligente, conseguirá se virar.
— Por que não foi junto? — perguntou sentindo seu coração acelerado.
— Eu só iria embora, caso fosse comigo.
Sentiu um frio na espinha. Não sabia se ria ou chorava. Logo agora que iria morrer. Aquilo era injusto. Quantas noites perdidas sonhando com o músico. Quantas cartas jogadas ao mar para só agora saber que poderiam ficar juntos.
— E você só fala isso agora?! — cerrando os punhos com força. Queria conseguir conter as lágrimas, mas era impossível.
— Agora que vamos morrer, eu não preciso esconder a verdade. Só poderíamos ficar juntos em um caso assim. — aproximando-se de Edgard e secando suas lágrimas. — Não fique triste — Sussurrou em seu ouvido. — Ficaremos juntos para sempre — terminou de falar com um sorriso.
Encarou James, surpreso. Adorava ver o seu sorriso. Sabia que aquele era sincero, mas não queria que tudo terminasse assim. Seria a última vez que poderia ver aqueles olhos verdes.
Não sabia ao certo quanto tempo ainda tinha, mas pela primeira e última vez tomaria coragem para fazer algo. Entreabriu os lábios e selou-os no de James, não demorou a ser correspondido. Estava feliz.
Seu último desejo havia se realizado.



1º Desafio - Bad Dream (escrita por Holly Robin)

Bad Dream escrita por Holly Robin


Sinopse: Ele queria que tudo pudesse ser diferente. A vida não podia ser tão injusta, como poderia decidir pela vida da pessoa que amava em doze horas? Infelizmente, aquele era um dos preços que a guerra cobrava de seus participantes.
Como suplicaria pela vida de seu inimigo?

Classificação: +16
Categorias: Originais 
Gêneros: Angst, Drama, Romance, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Tortura

Capítulos: 1 (1.080 palavras) | Terminada: Sim 
Publicada: 07/10/2013 às 10:28 | Atualizada: 07/10/2013 às 10:28


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Doze horas.
Esse tempo era tudo o que lhe restava. Olhou seu reflexo no espelho do banheiro mais uma vez e cerrou os punhos com força. Aquilo não podia estar acontecendo. Seu amado não podia morrer daquele jeito. Não agora. Muito menos em doze horas.
Ajeitou seu uniforme e respirou fundo. Caminhou até o escritório e desviou sua atenção para a carta aberta em cima da mesa. Sabia muito bem do que se tratava, não iria perder seu tempo lendo-a novamente.
A manhã fria dispersou parte de seus pensamentos, congelando-lhe a alma para o que veria do outro lado do campo de concentração. Não se importava nem um pouco com as continências dos soldados. Pelo contrário, amaldiçoava cada uma, como se tudo não passasse de uma ofensa pessoal. Queria voltar para o escritório e fingir que estava tudo bem.
Algo impossível.
Chegou ao último alojamento. Sempre imaginara aquele lugar sendo destruído em meio às nevascas, ou desativado. O problema é que quando se está em guerra, o que não falta são prisioneiros a serem interrogados. Principalmente torturados, quando valiam alguma informação importante. No geral, serviam mais como mão de obra.
Ao entrar no alojamento deixou todos os seus sentimentos do lado de fora. Agora ele atuaria como o general River, e nada mais do que isso.
Um dos oficiais virou-se e prestou continência. Passou direto por ele e abriu a porta que dava acesso às celas subterrâneas. Ninguém precisava informa-lo onde estava o prisioneiro, mesmo que sua estadia no campo fosse recente. Conhecia as regras melhor do que qualquer um daqueles soldados.
Caminhou a passos lentos, analisando cada cela. Não sentia o menor remorso pelos prisioneiros, não passavam de mão de obra. Pelo menos era isso o que pensava, até parar em frente às grades que o separavam de seu melhor amigo.
E amante.
Era impossível reconhecê-lo. A pele parecia ter se fundido aos ossos, os antes sedosos cabelos vermelhos, agora emplastados de sangue, haviam crescido. O rosto parcialmente engolido pela escuridão era inexpressivo, podendo-se discernir marcas arroxeadas e cortes profundos, aonde o sangue aos poucos ia deixando de escorrer.
Aquele rapaz não era o garoto que conhecera em Moscou há três anos. O jovem de sorriso doce e beijos cálidos. Lembrou-se de cada noite ao seu lado, cada risada, como se fossem momentos únicos. Queria ver seus olhos azul-claros refletindo seu rosto, eram tão vivos… Mas agora tinha receio. Não abriria a cela, ninguém o faria mudar de ideia, como sabia que nenhum dos soldados teria a intenção de fazê-lo.
Agora ele não passava de um prisioneiro de guerra. Um peão do inimigo deixado em campo para morrer. Como soldado, sabia que possuía informações úteis. O problema era que seus subordinados já estavam cansados de torturá-lo durante o último mês, sem obter nada. Tinha doze horas para fazê-lo falar.
Continuou observando-o, e por um segundo quis perguntar o que ele fazia no exército inimigo. Sabia que a resposta era idiota, a mais óbvia de todas. A Alemanha traíra sua pátria, a Rússia já não era mais do interesse do Führer.
Sentiu um frio na espinha ao imaginar seu amado sendo jogado em uma vala, sem a menor identificação. Seu desaparecimento não faria a menor diferença, pois sua família havia morrido em um bombardeio.
Repetiu seu nome mentalmente: Ivan. Não era atraente, mas impunha um pouco de respeito, mesmo para um garoto de traços tão delicados. Ele não deveria ter entrado na guerra, era apenas um garoto.
Na guerra, a única coisa que River perdera fora seu olho esquerdo, quando ainda era um mero soldado. Algo totalmente irrelevante para ele. Ainda era possível encontrar em sua gaveta a bala que havia feito todo o estrago. Agora Ivan... Perderia a vida da forma mais dolorosa possível.
Como um general, ele não podia pensar assim. O Führer necessitava dele. Pertencia à raça ariana, mesmo sendo uma aberração. Aberração. Só porque seu coração batia mais forte por um garoto que há alguns anos nem sabia o que era lutar.
Sentiu-se fraco, mas isso não aliviava em nada o peso de sua escolha. Precisava pensar. Tirá-lo de lá, levá-lo para casa e dizer que tudo ficaria bem, mesmo sabendo que não. Se ao menos fosse capaz de arrancar alguma informação dele, poderia colocá-lo para trabalhar junto aos demais prisioneiros.
Mas no final a câmara de gás o mataria e o transformaria em botão. Estava agindo como um verdadeiro egoísta. Apertou uma das grades da cela com força e olhou para Ivan mais uma vez. Uma de suas mãos estava repousada em seu colo. O sangue seco denunciava a perda de alguns dedos.
“Queria poder fazer algo por você, Ivan. Queria tanto.”
Mas ele podia ajudar. A ideia que lhe sobressaiu à mente acertou-o como uma adaga. Não queria pensar em algo assim. Mesmo vendo-o naquele estado, ele poderia ser salvo. Eram só algumas informações. Era a vida de seu garoto que estava em jogo.
Um jogo que agora só tinha nove horas.
Nove horas de sofrimento. Precisaria daquilo tudo para decidir o que fazer?
**
Caminhou pelo campo de concentração sentindo seu coração mais leve. O peso das escolhas agora não o afligia como antes. O fim da tarde se aproximava, e sob aquele céu avermelhado ele imaginou os sedosos fios do cabelo de Ivan. Uma lufada de ar frio atingiu-lhe o rosto como um soco: precisava voltar à realidade.
Seria perdoado pelas suas escolhas? Talvez, como general, não tivesse agido da melhor forma. Vivia da guerra, sabia o que era o sofrimento dos que sobreviviam ao terror, mas somente os mortos eram capazes de compreender o verdadeiro fim.
Ivan fora o único garoto que conseguira cativá-lo, o único que fazia algo dentro dele arder, o único entre muitas outras coisas que agora eram impossíveis de se numerar.
Esperava ser perdoado. Tudo o que fizera fora por um amor estúpido que era desnecessário para seu âmago. Tão estúpido que o fazia imaginá-lo entre nuvens. Como o jovem que ele havia resgatado dos destroços de um campo de refugiados, alvo dos bombardeios.
Lembrava como se fosse ontem, o garoto recostado à parede tendo em braços um velho urso de pelúcia empoeirado, brinquedo de sua falecida irmã. Jurou protegê-lo daquele dia em diante, mas porque ele fugira alguns anos depois? Precisava tê-lo reencontrado prestes a ser morto?
Aquelas eram perguntas que seria incapaz de responder. Já não faziam mais sentido. Agora tudo o que podia fazer por aquele que partilhara de seu amor era dizer:

“Adeus.”