A Mansão Do Fim Da Rua escrita por Last Rose of Summer
Jane ainda não aprendeu que alguns boatos são verdadeiros.
Classificação: +13
Categorias: Originais
Personagens: Personagem Original
Gêneros: Suspense
Capítulos: 1 (798 palavras) | Terminada: Sim
Publicada: 13/10/2013 às 01:26 | Atualizada: 13/10/2013 às 01:26
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Jane tirou mais um dos pedaços de madeira que tapavam a porta da antiga mansão: Ouvira histórias sobre o fantasma do antigo morador e apostara com sua amiga Rose que seria capaz de entrar na casa sozinha e pegar alguma coisa lá dentro, sem sair correndo depois. Era muito cética em relação à fantasmas ou assombrações, então estava confiante. Não levaria mais que meia hora para explorar tudo e então pegaria algum espólio empoeirado para esfregar na cara dela. Seria divertido.
Passou a mão pela testa e tirou uma mecha do cabelo loiro e grudento do rosto. Desobstruir a porta estava tomando mais tempo do que esperara, de início. Sentou sobre os próprios joelhos, respirou fundo e acenou para a ruiva que observava sorridente do outro lado da rua.
– Não vá desistir, hein? – Rose gritou em tom de desafio.
– Nunca! – Resmungou de volta antes de voltar ao trabalho. Passou as mãos pelo vestido amarelo, já bem sujo de terra, e resolveu que uma gambiarra se fazia necessária. Devia haver alguma coisa naquele enorme quintal que pudesse ajudá-la.
Deu a volta na mansão. Havia um canteiro de obras há muito abandonado, com algumas ferramentas enferrujadas. Ela tentou catar alguma coisa que parecesse no mínimo decente, mas a única coisa que não quebrou ao ser tocada foi uma peneira e, até onde conseguia imaginar, era impossível abrir a porta peneirando. Bufou e encarou o céu; Se não conseguisse até o pôr do sol perderia a aposta e, como consequência, teria que se vestir de Zumbi no aniversário da Mary, sendo que não era nem mesmo festa à fantasia! Para piorar a situação, tinha certeza de que sua atual paixão, Peter, estaria lá.
Peter: O rosto dele lhe veio à mente, os olhos claros e os cabelos loiros como os seus: a imagem lhe deu nova determinação e fê-la levantar. Mais uma vez, espantou a poeira do vestido e encarou os fundos. A porta de cá estava menos bloqueada, mas não estava a fim de terminar de sovar suas unhas com o trabalho duro de arrancar tábua por tábua. Não que tivesse outra escolha, uma vez que já eliminara as janelas de sua lista de opções. Suspirou, pensando no que ganharia com a aposta: um lindo salto de marca que nunca conseguiria se dependesse do salário de compositor frustrado de seu pai. Ele não compunha uma música desde a morte de sua mãe em um naufrágio e o dinheiro diminuíra drasticamente, cortando coisas que – na opinião dele – eram superficiais e desnecessárias. Isso incluíam vestidos e sapatos, maquiagem nova e celulares da moda.
Não fora fácil, mas Jane sobrevivera.
Ela levou uns bons dez minutos antes de, finalmente, conseguir terminar. A porta se abriu com um gemido assustador, mas ela encarou a escuridão com firmeza. O cômodo, pelo pouco que conseguiu enxergar, era uma velha cozinha. Ela puxou o celular da bolsa, usando-o para clarear o caminho. Amaldiçoou sua estupidez ao não levar uma lanterna, já que a luz provida pelo aparelho era tão fraca que mal iluminava sua própria mão.
Deu alguns passos incertos até, por fim, alcançar o que fora uma sala. Os móveis estavam cobertos por panos brancos, de modo que pareciam vários fantasmas estáticos. Ela olhou em volta, procurando alguma coisa que pudesse pegar. Nada.
Subiu as escadas, pulando a cada rangido. Ainda que repetisse mentalmente que fantasmas não existiam, tudo ali parecia gritar o contrário. Sua imaginação já começara a trabalhar e ela via vultos se mexendo conforme passava pelos quartos. Ela apertava o celular com força e iluminava o cômodo vacilante, mas a luz – como já percebera – era inútil. Tudo o que conseguia pensar era em achar algum objeto que coubesse em sua bolsa e sair correndo.
O corredor da vez era longo. Possuía quadros dispostos em nenhuma ordem particular, de várias paisagens diferentes. Se fosse qualquer outra ocasião ou lugar, Jane os teria admirado, mas, ali, só contribuía para a atmosfera aterradora. Acelerou o passo conforme seguia, torcendo para acabar logo. Por fim, viu-se diante de uma porta particularmente bem conservada que nem mesmo fez barulho ao ser aberta.
O que viu ali dentro foi uma surpresa: era redondo, como uma espécie de torre. Inesperado, porque não podia ser visto de fora. De certa forma, parecia ser bem mais novo que o resto da casa. Havia algumas estantes repletas de livros e uma escrivaninha com uma máquina de escrever. Jane aproximou-se, esquecendo-se subitamente do medo. Certamente que o antigo morador daquela casa fora um escritor. Será que fora famoso, ou será que fora um artista fracassado, como seu pai? Uma folha ainda estava presa à máquina e ela baixou os olhos para ler. Seus olhos bateram na primeira frase e, quase no mesmo segundo, a porta se fechou com um baque.
Jane nunca mais saiu dali.

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